Inflação já chega próxima a dois dígitos – o que fazer?

Situação de alerta, a inflação já disparou e agora com algumas rodovias interditadas ao cenário é ainda pior. Dados apresentando recentemente mostram que a inflação acumulada no ano já acumula alta de 5,67% e em 12 meses o índice chegou a 9,68%. Posso afirmar que no andar da economia, não há previsão de melhora a curto prazo, devendo o índice dos 12 meses chagar rapidamente acima de 10%, ou seja, passando os dois dígitos.

Contudo, para quem frequenta qualquer supermercado, feira ou varejão sebe que a situação é muito mais preocupante, e quem vai a um posto de gasolina então, é fácil constatar em que esse aumento não representa a realidade no bolso dos brasileiros, que tem sofrido muito mais com a inflação real, que é outra em relação à inflação oficial.

Se o índice do governo assusta, o índice do bolso da população desespera, pois o principal vilão das finanças da população é a inflação real. Ela causa a perda do poder aquisitivo do dinheiro. Mesmo os poupadores perdem dinheiro com o vilão da inflação verdadeira. Praticamente nenhuma aplicação consegue repor a perda desse valor.

A inflação real sempre existirá e será diferente da oficial, ela está relacionada aos produtos que realmente adquirimos e nas contas que realmente pagamos, sendo que na definição da inflação oficial são utilizados outros fatores. O que precisamos fazer é ficar atentos com o dinheiro que se ganha e, principalmente, como se gasta.

Digo isso por ter claro que o impacto da alta dos preços para população é muito maior do que os números oficiais apontam. E para que uma família tenha essa certeza disso é muito simples, basta fazer uma comparação de seus gastos cotidianos de três anos para cá.

Quanto era possível comprar antes com uma simples nota de R﹩ 100,00 e quanto é possível comprar agora? A resposta o próprio Governo Federal deu, com o lançamento de uma nova nota de R﹩ 200,00. Em uma análise simples se observa que foram muitos os produtos de consumo básico que subiram muito acima da inflação, exemplos recentes foram arroz e o óleo de cozinha.

Por isso, antes de tomar qualquer decisão com base no índice oficial de inflação é preciso uma análise aprofundada dos gastos. Isso pode ser realizado por meio de um apontamento de despesas ou uma planilha, no qual se anota todos os gastos diários por itens. Recomendo como ideal fazer isso apenas um mês durante o ano se tiver renda fixa e até três vezes se for variável.

Esse cuidado é importante para que perceba aonde vão todos os valores e também o que está apresentando um efetivo aumento no decorrer dos anos. Por fim, haverá o benefício de eliminar gastos desnecessários que minimizam a capacidade de poupar e realizar sonhos.

Ao perceber o real impacto da inflação em sua vida, o consumidor poderá também observar que o aumento de seu salário não arcará com o aumento do custo de vida, não responderem mesmo as perdas inflacionárias oficiais, sendo necessário repensar o consumo.

Já em relação ao aumento dos alimentos, a única orientação possível é realizar uma melhor pesquisa de preço e que repense seu cardápio diário constantemente, pensando em produtos que possam se adequar a uma refeição saudável e mais barata. Acredite, é possível, mas demanda um pouco de tempo, pesquisa e criatividade.

Por: Reinaldo Domingos. É PhD em Educação Financeira, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros

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